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A PROTEÇÃO QUE ATRAPALHA - Rosely Sayão - Equilíbrio Folha de S. Paulo

Importante para pais ficarem atentos...

O que fazemos com o ambiente da criança? Amaciamos o chão, aliviamos os cantos, retiramos os obstáculos
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Muitas crianças com menos de seis anos vivem hoje, tanto em suas casas quanto nas escolas, em ambientes tão assépticos que se assemelham mais a hospitais do que a espaços habitados por gente sadia e plena de vida.
Aliás, pesquisadores já relacionaram o aumento de alergias entre crianças das classes média e alta com a falta de exposição delas aos germes do ambiente natural. É a chamada "alergia do isolamento".
Hoje, escolas que querem seduzir os pais de filhos que estão na primeira infância se esmeram para apresentar um ambiente que consideram chamativo: limpo e claro, areia tratada (isso quando há areia), sem muitos obstáculos, tampouco terra e água.
O chão costuma ser macio e fofo -e para ser assim, precisa ser artificial. Fazem parte desse pacote a abundância de brinquedos de parque de plástico, muito coloridos.
Quando termina o período escolar, dá para se perguntar o que foi que a criança fez durante todo o tempo em que esteve na escola -já que muitas delas são entregues aos pais devidamente "higienizadas".
Até mesmo o discurso escolar acompanha esse clima: as crianças não mais escovam os dentes ou lavam as mãos: elas "fazem higiene". Que coisa mais louca!
Em casa, muitos pais até adotaram o costume oriental de deixar os sapatos à porta e só usar dentro de casa calçados destinados exclusivamente para esse fim.
Apetrechos dos mais variados tipos são comprados já no enxoval do bebê que irá nascer, para esterilizar tudo o que ele usa. O problema é que isso se estende por mais de um ano, quando a criança já engatinha, anda e faz a exploração dos espaços.
E isso costuma ser a melhor justificativa para tantos cuidados: afinal, nessa fase a criança adora conhecer as coisas pela boca, não é verdade? E como permitir que ela leve para a boca as sujeiras do ambiente?
Quando foi que esquecemos que criança combina com terra, água, vento e fogo?
O contato, o conhecimento e a exploração desses quatro elementos é muito importante para que ela crie um vínculo com a natureza, explore-a e aprenda, com essa relação, um pouco mais sobre si mesma e sobre seu corpo.
Mexer na areia e lambuzar-se com ela, brincar com a água e a terra, fazer barro e sentir sua consistência, experimentar seu sabor -por que não? Tomar banho de mangueira, sujar-se toda aos olhos dos adultos: tudo isso é possível ainda para a criança, mesmo nesse estilo de vida urbano que adotamos.
Mas, parece que escolhemos consumir um determinado tipo de cuidado com a saúde que não combina com nada disso, não é verdade?
E o que fazemos, então, com o ambiente em que a criança vive? Retiramos todo tipo de perigo possível: arredondamos os cantos, suprimimos as quinas, amaciamos o chão, retiramos os obstáculos como escadas e aclives ou declives pronunciados e outras coisas mais estranhas ainda.
Tudo para evitar que a criança corra algum risco. Até os brinquedos, agora, precisam ser adaptados à idade da criança!
Mas é bom saber que o tiro pode sair pela culatra. Começar a viver em ambientes tão diferentes da realidade apenas tolhe a vida da criança, limita as suas possibilidades de aprender sobre seu corpo e de explorar o meio em que vive. Isso também desestimula sua curiosidade e não a prepara para reconhecer riscos e saber quais podem ser enfrentados e quais devem ser evitados.
Não é à toa que temos tantas crianças que se machucam em situações que elas já deveriam controlar. É bem significativo o número de acidentes com crianças grandes que caem, quebram ossos, levam pontos etc. Elas pouco ou quase nada sabem a respeito do relacionamento delas com o ambiente em que vivem.
Também, depois de elas viverem tanto tempo enclausuradas em um mundo almofadado e asséptico, tal resultado não é nada espantoso.

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ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora de "Como Educar Meu Filho?" (Publifolha)

PRESSA NA EDUCAÇÃO INFANTIL


Achei a matéria "Pressa na Educação Infantil", na Edição de 5ª feira, 16/10/2008, no caderno 'Equilíbrio', da Folha de São Paulo (de Rosely Sayão, psicóloga, autora de "Como educar meu filho?"), muito pertinente. Quem trabalha com Educação Infantil sente muitas vezes a insegurança dos pais quanto ao desenvolvimento do filho e uma certa pressa desses com relação aprendizagem, alfabetização e sistematização de conteúdos. Muitos questionam se a criança será alfabetizada pela escola aos 2, 3 ou 4anos... Costumamos dizer que "não", pois a criança se alfabetizará no seu tempo, na sua "hora". O que faremos será tão simplesmente inseri-la no mundo letrado, de diferentes gêneros textuais, com seus diferentes portadores e muita leitura, imaginação, magia, canto e encanto, reconhecendo assim o uso social da escrita e isso já será metade do caminho andado.

Rosely Sayão, expressa muito bem isso ao dizer que a Educação Infantil não é uma preparação para o Ensino Fundamental.

Outro ponto marcante em sua discussão diz respeito à seriação na educação infantil, alguns pais questionam por que há alunos maiores junto dos menores... e mais uma vez utilizo-me das palavras da colunista para explicar:

"...por que agrupar crianças da mesma idade? Sabemos que os ritmos delas são muito diferentes na primeira infância. A convivência e o aprendizado conjunto independem da homogeneidade. Tenho convicção de que o agrupamento por idade empobrece os aprendizados com brincadeiras na primeira infância".

O Educandário Conhecer trabalha com a "verticalização" e "horizontalidade" das turmas, segundo seu Projeto Pedagógico.

Sayão continua: "Considerado isso, é importante concluir que nenhuma criança "repete" o ano ou fica "retida" em educação infantil.Uma criança é considerada imatura perante seus pares? Ora, isso é um julgamento com base em teorias do desenvolvimento que desconsideram a criança em sua individualidade e em seu ritmo pessoal. Agora, é preciso considerar que muitos pais estão ansiosos por apressar a entrada do filho no primeiro ano. Por quê? Essa pressa é fruto, principalmente, do receio de que o filho se "atrase" em relação a outras crianças da mesma idade. Num mundo tão competitivo, muitos pais entendem que a vida escolar será decisiva para o êxito futuro do filho. Nem sempre, apontam as pesquisas".

Papai e mamãe, nada de pressa!!! Cada criança tem seu tempo. Criancças devem ser livres e felizes, não robotizadas... e digo mais:

A Educação Infantil é feita para Socializar-se, libertar-se, crescer emocionalmente, cognitivamente e fisicamente através do BRINCAR, do MOVIMENTAR-SE, do TATEAR, COOPERAR, TRABALHAR, DANÇAR, JOGAR, do CONHECIMENTO DE OUTRAS CULTURAS, da ARTE e tudo o mais que a E.E.I. "Educandário Conhecer" tem a proporcionar.

acesse a matéria colando o link no seu navegador: http://blogdaroselysayao.blog.uol.com.br/ acessado em 18/10/2008




Por: Daniele Júlia Nascimento da Costa